A transformação digital avança também
na fiscalização do transporte rodoviário
de cargas. A partir de julho, a Agência Nacional
de Transportes Terrestres (ANTT) passará a monitorar
de forma automática a regularidade dos seguros
obrigatórios das transportadoras, utilizando sistemas
integrados para cruzamento de informações
em tempo real.
A mudança marca o fim de um modelo baseado principalmente
na conferência documental e inaugura uma nova etapa
de acompanhamento eletrônico das operações.
Com a integração entre bases de dados do
setor segurador e o Registro Nacional de Transportadores
Rodoviários de Cargas (RNTRC), a situação
cadastral das empresas poderá ser verificada continuamente
pelos sistemas da Agência.
Na prática, isso significa que falhas relacionadas
à manutenção das apólices,
divergências de cadastro ou inconsistências
nas informações enviadas poderão
ser identificadas de forma praticamente imediata. Para
as transportadoras, o desafio passa a ser manter um controle
mais rigoroso sobre a documentação e os
contratos de seguro que dão suporte às operações.
A exigência está ligada às mudanças
promovidas pela Lei nº 14.599/2023, que redefiniu
as responsabilidades relacionadas à proteção
das cargas transportadas. Entre as coberturas exigidas
estão aquelas destinadas a acidentes durante o
percurso, desaparecimento de cargas em casos de roubo
ou furto qualificado e danos causados a terceiros durante
a operação dos veículos.
Especialistas do setor avaliam que a iniciativa tende
a aumentar a segurança jurídica das operações
e a uniformizar o cumprimento das exigências regulatórias.
Ao mesmo tempo, alertam que a automatização
reduz as margens para falhas administrativas que antes
poderiam passar despercebidas por períodos mais
longos.
O novo modelo também reforça uma tendência
observada em diferentes áreas da logística:
a utilização crescente de plataformas digitais
para controle, fiscalização e compartilhamento
de informações. Nos últimos anos,
ferramentas como o CIOT eletrônico, documentos fiscais
digitais e sistemas integrados de gestão passaram
a desempenhar papel cada vez mais relevante na rotina
das transportadoras.
Nesse cenário, a gestão de seguros deixa
de ser apenas uma obrigação regulatória
e passa a integrar as estratégias de conformidade
operacional das empresas. A expectativa é que a
fiscalização automatizada contribua para
ampliar a transparência do mercado e reduzir a atuação
de operadores que não atendam às exigências
legais.
Para o setor, o movimento sinaliza uma nova fase de modernização
regulatória, em que a tecnologia passa a desempenhar
papel central tanto na operação quanto no
monitoramento das atividades de transporte.
Fonte: Guarany Junior.